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Todos juntos defendemos o CCSTOP apenas porque somos solidários com os músicos? Porque não acreditamos que fossem responsáveis pela situação que lhes foi atribuída? Ou porque reconhecemos uma injustiça mais profunda?

Perante a agressividade do encerramento, a presença massiva das autoridades, os comentários políticos que se seguiram, a nota de solidariedade emitida pela SPA e a forma como centenas de arrendatários, trabalhadores, criativos, músicos, amigos, vizinhos e cidadãos foram tratados, devemos continuar a acreditar que tudo se resumia a uma questão de condições de segurança?

É legítimo que as pessoas façam perguntas. É legítimo questionar se estavam em causa outros interesses. Despejar? Vender? Ocupar? Transformar? Nada disto seria propriamente inédito. São processos que vemos surgir em diferentes geografias e escalas, incluindo na nossa própria cidade. Não é preciso viajar até às Covas do Barroso ou observar conflitos e disputas noutras partes do mundo para perceber que comunidades inteiras são frequentemente confrontadas com decisões que alteram profundamente os seus territórios e modos de vida.

Mas talvez a questão mais importante seja outra: porque precisamos de ir tão longe para encontrar exemplos que nos ajudem a compreender o que acontece à nossa volta? Porque procuramos aprender com esses casos, mas tantas vezes hesitamos em participar quando os processos acontecem diante dos nossos olhos?

Quando nos perguntam o que é que o CCSTOP tem a ver com a Palestina, ou até com a venda de uma ilha na Albânia, talvez não estejam verdadeiramente a perguntar pelos casos em si. As circunstâncias são diferentes e não devem ser confundidas. Mas a curiosidade nasce frequentemente da perceção de padrões comuns: quem decide o destino dos lugares? Quem beneficia das transformações? Quem é ouvido? Quem fica para trás?

Nem as causas pela Palestina ou do CCSTOP deveriam precisar de justificações para merecer atenção. Ainda assim, compreendemos que profissionais, investigadores, jornalistas e o público em geral procurem enquadramentos que lhes permitam compreender melhor a realidade. A curiosidade é natural. Saber pouco raramente nos satisfaz.

O CCSTOP tornou-se mais do que um conjunto de salas de ensaio. Tornou-se um símbolo de questões maiores: o direito à cultura, a permanência das comunidades criativas na cidade, a participação cidadã nas decisões que moldam o espaço urbano e a forma como o desenvolvimento económico se relaciona com a memória coletiva.

Por isso, defender o CCSTOP nunca foi “apenas” defender músicos. Foi defender a ideia de que uma cidade não é feita apenas de edifícios, investimentos ou planos de requalificação. Uma cidade é feita, acima de tudo, das pessoas que lhe dão vida.

Jun 12
at
2:04 PM
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