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Sempre um esforço por descredibilizar, implícita ou explicitamente, a história do Protestantismo, pintando-o ora como a força motriz do processo de secularização – sendo que Lutero não era exatamente muito religiosamente tolerante, nem mesmo com alguns de seus companheiros (Wolfhart Pannenberg tem um artigo sobre isso: “Como Pensar Sobre o Secularismo”) –, ora como direta ou indiretamente influenciado pelo Islão – sendo que Lutero via o avanço do Islã como uma punição divina pelos abusos e heresias católicas de então. Recomendo os seguintes textos:

A) “Do Combate Contra os Turcos (Vom Kriege wider die Türken)” (1529); fonte: WA (Weimarer Ausgabe), vol. 30 II, p. 107–108; Lutero defende que a guerra contra os turcos deve ser entendida como defesa civil, não como guerra santa;

B) Prefácio crítico à tradução latina do Alcorão; fonte: WA 53, p. 571–580; nesse texto, Lutero chama Maomé de “profeta do diabo”, além de “abgöttischer, ein Mörder, ein Frauenschänder, Räuber und aller laster voll gewesen” (idólatra, assassino, violador de mulher, ladrão e cheio de todos os vícios). Lutero também chama o Islã de “Lüge” (mentira), blasfêmia contra Deus por negar a divindade de Jesus Cristo, uma heresia que destrói o “geistlichen Stand” (estado espiritual da igreja);

C) “Sobre o Papado em Roma, instituído pelo Diabo (Wider das Papsttum zu Rom, vom Teuffel, gestiftet)” (1545); fonte: WA 54; Luther's works, vol. 41. Aqui, Lutero faz a famosa distinção entre o papa, o “Seele oder Geist des Antichrist” (anticristo espiritual), e o turco, o “Fleisch oder Leib des Antichrist” (anticristo corporal);

Filipe Melanchthon, em seus Loci Communes (edição latina crítica: CR (Corpus Reformatorum vols. 21–23)), inclui o Islã na classe dos monoteísmos éticos sem o coração do evangelho, uma religião da Lei, não da graça; veja também Commentarius in Epistolam ad Romanus (CR 15) e Commentarius in Epistolam ad Galatas (CR 15).

Quanto a João Calvino, para quem Maomé era um falso profeta e o Islã, uma blasfêmia:

D) Institutas da Religião Cristã (edição final de 1559); fonte: Institutio Christianae Religionis; em português: Institutas, ed. Cultura Cristã/ Fiel, livro I, cap. 1–13. Calvino argumento que não conhecimento de Deus fora de Jesus Cristo, aplicando isso aos judeus, aos muçulmanos e à outros teístas não cristãos. Calvino, em Commentaries on the Book of the Prophhet Daniel, interpretação o avanço dos turcos como juízo de Deus contra as heresias católicas, como Lutero. Além disso há as seguintes fontes secundárias:

E) Adam S. Francisco – Martin Luther and Islam: A Study in Sixteenth-Century Polemics and Apologetics (citado no artigo)

F) David Thomas – Christian-Muslim Relations: A Bibliographical History (que situa os reformadores na tradição cristã anti-islâmica)

Para um movimento que tem “similaridades” com o Islã, os seus representantes mais importantes são muito anti-Islã – alguns deles, como Lutero, bem islamofóbicos, se podermos usar essa expressão

Feb 11
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2:31 AM
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