Nenhum outro escritor teve tanta influência na minha vida - talvez Millôr, mas Verissimo veio antes. Meu senso de humor, meu ritmo narrativo, meu estilo, tudo o que escrevo tem o toque dele. Comecei a lê-lo ainda bem criança, há quase 50 anos, primeiro nas crônicas na revista Domingo do Jornal do Brasil, depois nas coletâneas editadas pelo Círculo do Livro: O Analista de Bagé, Ed Mort, A Grande Mulher Nua, As Cobras. Verissimo saiu do JB e foi pro Globo e segui acompanhando-o, lendo seus textos sobre tudo, sempre uma visão irônica mas profundamente humana (e sempre progressista, importante reforçar). Num século que teve Graciliano, Rosa, Jorge, Rubem etc. etc. etc., para mim ele foi o maior dos autores brasileiros. Por uma improvável combinação de circunstâncias, consegui entrevista-lo em 2011 - uma entrevista medíocre, pautada por um cliente. Mas não deixou de ser inesquecível pra mim. Não disse a ele o quanto sua obra impactou minha vida. Deveria ter dito. Obrigado e RIP.