Me assustei quando vi, recentemente, um vídeo desses desses influenciadores de comida apresentando um comércio da década de 60 como grande novidade para o seu público. Além da contradição em si, me apeguei ao problema pois eu frequentava o lugar na década de 80/90.
O que para mim era nostalgia, emoldurada na memória do cheiro e do som das coisas que estavam ali, na apresentação era quase um descortinar celebrado do "museu de grandes novidades".
Mas esse, de fato, é um problema? O fato daquilo ser conhecido por mim não exclui, de forma nenhuma, a possibilidade de ser uma novidade sedutora para tantas outras pessoas. A questão que me mobiliza não está nessa dualidade do conhecimento versus ineditismo.
O ponto aqui regressa à primeira casa do tabuleiro: como estamos sujeitos à abreviação de nossas descobertas quando os conteúdos exaustivos das redes sociais insistem em parecer uma sinopse malfeita que te leva ao minuto oitenta do filme.
Consumimos o spoiler em velocidade 1.5x. Não há espaço para a subjetividade, para a criação de memória e história; tudo está ali, objetivamente, num vídeo que não pode durar mais do que noventa segundos.
Em nome do engajamento, essa espada feroz e afiada do Senhor Algoritmo, sacrifica-se a experiência na lógica do imediatismo, onde o que importa não é o sabor da descoberta de mais nada; não se tem nem tempo mais de pedir a pimenta para colocar duas gotinhas.