Hoje eu estava na fila do caixa, segurando um abacate como quem segura uma relíquia, percebi que estava sendo observada, já fiquei encucada.
Uma senhora, dessas com cabelo de algodão e olhos que já viram muito, inclinou a cabeça e disse:
—Moça, sabe escolher abacate?
— Não sei nem escolher gente, imagina fruta — respondi, meio rindo, meio sincera.
Ela riu também, daquele jeito que só quem já viveu mais do que sofreu consegue rir. Pegou o abacate da minha mão, apertou com delicadeza e disse:
— Esse aqui é pra comer depois de amanhã. Se quiser pra hoje, pega o que tá mais escuro, mas não muito. Abacate tem um tempo certo, igual tudo na vida.
Agradeci, troquei o abacate, e enquanto a fila andava, fiquei pensando nessa história de tempo. Quantas vezes a gente tenta forçar o agora, quando, na verdade, era pra depois de amanhã?
Rapaz, o cotidiano realmente é mágico. É só saber observar.