CORRENTE DE RETORNO
Não invoquem o medo
quando pronunciam seu nome.
O erro já caminhava
antes que o acusassem.
Èṣù não desce para punir
ele apenas revela
a arquitetura invisível
do que foi feito.
Toda palavra lançada
é um corpo em viagem.
Toda escolha
é um tambor que vibra
mesmo depois do silêncio.
Chamam-no castigo
porque não suportam
a matemática da consequência.
Mas Èṣù não escreve sentenças.
Ele equilibra fluxos.
Se o gesto foi pedra,
a onda aprende o contorno.
Se foi lâmina,
o fio retorna.
Nenhum passo é órfão.
Nenhuma intenção evapora.
O mundo responde
porque o mundo escuta.
Èṣù não é punição.
Èṣù é corrente de retorno.
E a encruzilhada
não é ameaça
é espelho.