Eu já vendi café na rua por 1 real.
Era um copinho de 50ml de café colado que tirava de uma garrafa de 2 litros.
Esse copinho era 1 real. Se vendia 40 copinhos, fazia 40 reais e acabava com a garrafa.
Acordava 4:00am para fazer o café e saía 5:00am para ver se tinha oficinas abertas ou gente madrugando para tramitar sua documentação (outros venezuelanos).
Sei que nos padrões de hoje 40 reais é pouco, mas para mim era o máximo que podia fazer, pois em 3 horas de trabalho fazia o equivalente a 10 horas sob o sol como pedreiro.
40 reais era uma diária em Santa Elena.
(Santa Elena era a cidade fronteira entre Brasil e Venezuela, entre o estado Roraima e o estado Bolívar. Do lado brazuca, Pacaraima era a cidade.)
Vivi assim por 1 ano, até decidir mudar definitivamente ao Brasil chegando em Boa Vista, a capital.
5 anos depois, em uma entrevista para uma agência de marketing, me disseram que eu não tinha o fit cultural da empresa porque meu comportamento era de uma pessoa estável e eles precisavam de gente que soubesse se adaptar rapidamente às mudanças.
Olha, eu, enquanto migrante e falante de 3 línguas, achei isso um tanto quanto… esquisito. E ofensivo. Um pouco. Não deveria. Mas depois de passar por 2 entrevistas com o RH e o Head de marketing e ainda ser rejeitado porque o sistema do robô falava que eu não me encaixava… sei lá.
A moral da história? Eu precisei sacudir os ombros e encontrar meu fit cultural.
Eis-me aqui no Substack.