para Tatilove
tem dias
em que a palavra
não quer ser leve
e tudo bem
porque nem toda flor
nasce suave
algumas rasgam a terra
você procura o texto
como quem procura espelho
mas o texto
às vezes
é o que ainda não tem rosto
é o quase
devir
não vem pronto
nem manso
ele tropeça
em você
e quando não vem ímpeto
não é ausência
é acúmulo
é maré baixa
guardando força
linha de fuga, sim
mas não só fuga
é fresta
um jeito de respirar
quando o dia pesa
e a tal feminilidade
— se é que cabe nome —
não precisa ser leve
precisa ser viva
tem dia que é brisa
tem dia que é faca
e ambos
são verdade
então não chama
não força
deixa vir
leve
ou denso
ou nenhum dos dois
porque até o silêncio
quando encostado em você
já é
quase poema