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Toda semana eu danço improvável meu ritual íntimo, meu tosco maracatu: rainha e senhora magnífica do reino de uma mulher só. E, por fidelidade a esse reino sem vassalagem, não divido a honra com ninguém.
Danço como dançavam os antigos, desafiando os inimigos, os desastres, os deuses.
Na sexta ou no sábado reafirmo a alegria, a posse do meu quinhão de vida: que venha, então, a adversidade e me encontre dançando como se tivesse nas mãos a calunga, as insígnias, um escudo, algum poder.
Toda semana lanço minha provocação ao mundo, que nem liga, nem escuta. Não por acreditar em forças que não tenho. Convoco-as.
Desafio esse mundo que ainda é meu, enquanto é meu; que amo, que me ama e que me nega; que um dia me faltará.
Toda noite é a última.
Aug 3
at
1:20 PM
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