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Tamara e o jogo de espelhos da interpretação

Tamara Klink errou na primeira frase: “Não comprem mais esse livro”. Em tempos de redes muito poucos socias, uma frase assim ganha vida própria, vira manchete e chega muito antes do pensamento.

Mas basta continuar ouvindo. Porque, depois dessa primeira frase, todo o resto é perfeito.

Tamara não está fazendo campanha contra livros, livrarias ou editoras. Está fazendo uma defesa apaixonada da leitura. Se milhares de exemplares de Bom dia, inverno já estão nas casas das pessoas, que circulem. Que sejam emprestados, doados, levados às bibliotecas. “É muito triste um livro só ser lido uma vez”, diz ela.

E como discordar?

O episódio virou um curioso jogo de espelhos: Tamara fala em circulação e entendem proibição. Fala em compartilhar e enxergam ataque ao mercado editorial. Quando, na verdade, está lembrando algo elementar: o destino do livro é ser lido.

Precisamos vender livros, claro. Autores precisam receber, editoras e livrarias precisam sobreviver. Mas talvez devêssemos perguntar não apenas quantos exemplares um livro vendeu, mas quantas pessoas ele alcançou.

Tamara atravessou oceanos e passou meses cercada pelo gelo. 

Agora enfrenta outra travessia: a de uma frase pelas redes sociais.

A primeira frase chegou antes do pensamento.

Vale a pena esperar o pensamento chegar.

Porque Tamara não está pedindo que parem de ler seu livro. 

Está dizendo algo muito mais bonito:

quando terminar de ler, passe adiante.

Aug 9
at
7:14 PM
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