Meditando cá com meus botões sobre oficinas de escrita e cheguei à conclusão de que no século XX a humilhação era parte do método. Na faculdade de Jornalismo, nos anos 1990, tive três semestres de produção de texto com um professor muito temido, pois arrancava as tripas dos alunos publicamente a cada aula. Corrigia os textos com caneta vermelha, os meus voltavam como se um pequeno animal tivesse sido sacrificado e dessangrado em cima daquela A4 (“Hahaha, que engraçadinha!”: ele não gostava de humor). Aprendi muito com ele depois do choque. Mas eu sou cabeça dura. Sei de colegas que ficaram traumatizados. Saindo da faculdade entrei no curso de treinamento de um jornalão, onde aprendíamos com os profissionais da casa. Uma colunista famosa se recusava a continuar lendo um texto se tivesse erro de português, e executava uma avaliação in real time só na medida pra acabar com a vontade de viver do iniciante. Lágrimas encharcavam os Chamequinhos.
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Quantas de nós contrataríamos hoje um serviço de text dominatrix? Nada não, só pensando aqui numa coisa pro Vera.
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Sou ou não sou uma querida, meu povo da oficina? Me mandem poemas pra eu dar uma olhadinha até quinta. Bom feriado.
Apr 19
at
2:04 PM
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