Comecei a pensar que a fumaça é uma espécie de arquivo. Quando pensamos num arquivo, pensamos, sobretudo, numa materialidade objetiva. Os arquivos são os documentos, os filmes, as fotografias, toda sorte de papéis, cartas, mapas, contratos, diários e certidões. Seu principal atributo é conter um fragmento do passado. Algo que, ao ser manipulado pelas mãos e pelos olhos do presente, tem a potencialidade de lançar luz sobre esse passado, num exercício que é sempre duplo.