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Que conto. A ideia central é das que ficam: os ricos literalmente digerindo os pobres para se renovar, e a renovação durando nove meses — uma gestação às avessas. Você teve o bom senso de não anunciar a alegoria de cara; ela vai se montando sozinha, e quando Genésio percebe que o pai já servira ali, e suspeita do avô e do bisavô, o conto encontra seu verdadeiro assunto: não a criatura, mas a servidão que atravessa gerações sendo devorada pela mesma boca. Otto é eterno; Genésio, não. Esse é o golpe.
O horror corporal é muito bem feito — a passagem pela garganta, a entrada na jaula que o leitor lê como suicídio e que você transforma em rendição quase bem-aventurada. A ambiguidade do fim (ele venceu ou foi reduzido a nada?) termina o conto de forma ímpar. Parabéns!
