Autenticidade não é o mesmo que excentricidade.
O excêntrico está fora do centro.
O autêntico está dentro do centro de si mesmo.
Estar dentro do centro de si é o mesmo que estar em ordem consigo e, consequentemente, com o mundo.
A pessoa autêntica está adaptada ao seu mundo interior, e isso é o que a possibilita lidar com a realidade externa sem perder-se de si mesma, mas também sem fugir dela na tentativa de preservar algum estado interno de calmaria.
A potência é a manifestação do próprio Ser. O ser humano autêntico é potente porque não precisa fazer grandes esforços para criar nada: ele simplesmente é o que é e, sendo, realiza.
Você deve estar se perguntando: como alcançar esse estado?
E não, não é tão simples assim… requer coragem para sustentar a própria angústia. Afinal, não há autenticidade sem autonomia.
A primeira grande forma de autonomia é a intelectual. Aprender a pensar por conta própria não é o mesmo que reproduzir informações de terceiros ou ideologias. Pensar por conta própria exige uma atitude de diferenciação:
“Será que eu realmente acredito nisso? Se não, como posso me aprofundar e pesquisar mais para saber se, de fato, acredito naquilo que defendo?!”
No entanto, essa postura também produz aflição, pois a angústia, a dúvida e a incerteza nos separam do mundo e nos fazem experienciar estados afetivos bastante conflituosos.
É nessa dialética entre a nossa alma e a alma do mundo que construímos uma vida que é, de fato, nossa: uma vida ativa.
Um artista não é apenas artista enquanto cria, assim como um intelectual não é apenas intelectual em seu ofício. Ambos estão simplesmente sendo quem são. E da arte de sê-lo fielmente nasce a sua grande obra, como manifestação de si mesmos.
O maior trabalho da vida de um ser humano é a construção de sua própria vida.