Há em mim a alma de uma mulher que pinta seus próprios quadros e colhe suas próprias flores.
Quando o mundo me parece confuso, recorro a Alberto Caeiro, que sempre me lembra que não há filosofia frutífera que nasça de um corpo que não sente.
Foi ele quem me ensinou a amar os paradoxos da Natureza: ela que, ao mesmo tempo, se exibe e se esconde; ela que eu não sei quem é, mas que é o que é.
O mundo tem se tornado confuso. Tantas manobras intelectuais na tentativa de tornar a realidade outra coisa que não a própria realidade. Se aprendi a amar a vida, foi porque aprendi primeiro a amar o mundo — a alma do mundo.
A vida e o mundo não são nem bons, nem maus, apenas objetivos. Há quem ache a objetividade superficial; eu, no entanto, a considero mágica. Ela educa o meu ego.
As coisas não são o que eu quero que elas sejam — e isso é bom. A vida me leva a me curvar diante dos seus mistérios. Percebo que a tentativa de não controlar o fluxo das coisas torna tudo um pouco mais fácil.
Quando largo mão de tentar controlar o que não me cabe, meus olhos encontram tempo para colher novas flores e pintar novos quadros.
A vida, apesar de confusa, também pode ser boa. É nisso que me agarro.