Não estou, nem de longe, entre aqueles que acham que Elon Musk é um gênio. Mas esperto ele é. E ele sabia muito bem o significado de sua saudação nazista na posse de Trump.
Ele quis passar um recado. Mais um, depois do aceno aos neonazis na Alemanha.
E o recado é: “estamos voltando”.
Stormfront, a vilã do seriado The boys, dizia: “Eles gostam de tudo o que a gente faz, só não gostam da palavra ‘nazista’’. Essa é a mentalidade de Musk e de outros barões das big techs, como Peter Thiel. Seu projeto é, de forma cada vez mais cristalina, impor uma ditadura em que suas vontades imperem, a despeito das consequências para todos os outros – trabalhadores, minorias, o planeta.
A Terceira Internacional definia o fascismo como “a ditadura aberta e terrorista dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro”. Não vou entrar na polêmica sobre a correção desta definição. Mas Trump sinalizou, na posse, que seu projeto é fazer, sem travas, o governo dos grupos mais reacionários dos Estados Unidos, com os multibilionários à frente.
George Grosz pintou “Os pilares da sociedade” pouco antes da ascensão do nazismo. Estavam todos lá, na posse de Trump. Dinheiro, violência e hipocrisia, prontos a governar abertamente, sem qualquer aceno à civilidade.
Trump anunciou medidas para alimentar a guerra cultural que mantém aguerrida sua base. Mas os dois pontos mais importantes são as concessões a seus grandes apoiadores: desregulação das redes, incluindo o uso da “inteligência artificial”, com os efeitos devastadores sobre a democracia, o mercado de trabalho e o meio ambiente que nós sabemos, e incentivo ao uso dos combustíveis fósseis – o negacionismo climático na prática.
O discurso do novo presidente dos Estados Unidos tem lógica: o encarecimento gerado pela transição energética complica a vida dos mais pobres.
Isso não justifica queimar o planeta. O justo seria financiar a transição taxando os muito ricos, bem como vetar seu modo de vida ostentatório que degrada o meio ambiente sem gerar mais bem-estar para ninguém.
(Sem nem falar em atacar a raiz do problema, a lógica da acumulação capitalista.)
Mas, claro, isso é o que Trump não quer nem pode fazer.