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enquanto o discurso feminino se sustenta, muitas vezes, em algo simples e direto – não gosto de homem –, a resposta que vem do outro lado quase nunca fica no campo da opinião. ela desce alguns degraus. vira ataque. vira tentativa de humilhação. eles recorrem ao nosso corpo como arma, usam nossos ciclos naturais, nossas experiências biológicas, tudo aquilo que é humano, íntimo e inevitável, para tentar nos diminuir. é como se a discordância precisasse ser punida. como se dizer “não gosto” fosse uma afronta grande demais e, por isso, exigisse um contra-ataque que nos reduza à carne, ao sangue, ao que eles acham que nos fragiliza. não argumentam ideias –preferem expor, ridicularizar e controlar. transformam o que é natural em motivo de vergonha, como se o simples fato de existirmos em nossos corpos já fosse um erro a ser corrigido. no fim, fica escancarado: enquanto mulheres expressam limites, gostos e recusas, muitos homens respondem com misoginia travestida de piada, ciência mal interpretada ou “opinião”. o incômodo nunca foi o discurso feminino em si –é a autonomia que ele carrega.

Jan 24
at
10:03 PM
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