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O PCC é Nosso!

O debate da semana parece ser se o PCC deve ou não ser considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos.

Mas essa talvez seja a parte menos importante da história.

Durante décadas, o Brasil assistiu ao crescimento de organizações criminosas que expandiram sua influência para dentro dos presídios, das fronteiras, da economia e das próprias estruturas do Estado. Enquanto discutimos nomenclaturas, acumulamos mortos, comunidades dominadas pelo medo, corrupção institucionalizada e uma profunda cicatriz social.

Talvez o PCC não se encaixe perfeitamente nas definições jurídicas de terrorismo. Essa é uma discussão legítima para juristas. Mas para o cidadão comum, a pergunta mais importante é outra: como permitimos que uma organização criminosa alcançasse esse nível de poder?

A cicatriz social que ela deixou não foi produzida apenas pela ação dos criminosos. Ela também é resultado de décadas de omissão, incapacidade e corrupção por parte do poder público. O PCC cresceu porque encontrou espaço para crescer.

Por isso, há algo de estranho em assistir ao Estado brasileiro concentrar suas energias na discussão sobre qual rótulo outro país deve utilizar. O problema nunca foi o nome.

Os Estados Unidos argumentam que a classificação permitiria ampliar mecanismos de combate financeiro, congelar ativos e dificultar operações internacionais ligadas à organização. O governo brasileiro responde defendendo sua soberania.

Mas soberania não deveria ser apenas o direito de contestar decisões externas. Deveria ser, antes de tudo, a capacidade de controlar o próprio território, impor a própria lei e proteger os próprios cidadãos.

O PCC é nosso.

A cicatriz também.

May 29
at
12:40 PM
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