Tenho 42 anos e me lembro de começar a odiar meu corpo lá pelos 14, 15 anos. Dedo na garganta, restrição calórica, laxantes. Queria ser igual capa da revista capricho, que recebia todo mês em casa, umas minas de 1,80 com 50kg.
Fui mãe ao 21, na tenra idade as marcas da maternidade já estavam impressas no meu corpo: peitos murchos, barriga meio molinha etc. Ter filho não melhorou minha relação comigo mesma, nem com o mundo, acho até que piorou, pois em 2005, ser mãe novinha por acidente era coisa de piranha e isso não impactou só no meu corpo. Depois conto mais.
Outro dia falei aqui que não tinha paciência para as meninas novas e de repente a vida começou a lançar várias delas no meu colo. Pacientes de 14 anos querendo emagrecer, outra de 22 que atendi essa semana, que com 21 anos começou a usar caneta emagrecedora e reganhou 120% do peso perdido. Meninas de 20 e poucos do projeto SHIFT RUN da marca VEJA, do qual faço parte meio como madrinha etc. Tenho visto também muitas meninas novinhas treinando loucamente na academia.
O que me joga cara que a falácia do “treinar mais, comer menos” está mais viva do que nunca e fazendo parte da vida de mulheres de todas as idades.
Olho pra elas e me vejo. Lembro quanto tempo dos meus 42 perdi odiando meu corpo, pelas minhas contas, só comecei a tratar bem dele com quase 35. Comecei a correr com 23 e por mais que pareça algo bom, desses 20 anos correndo pelos menos uns 10 foi por medo de engordar. Foi fazendo restrição calórica seguida de compensação etc
Vou ter que desdizer que não tenho paciência com as meninas novas, pois seria maldade minha ter vivido tudo isso não e contar pra elas. Não é correto ver tanta menina seguindo por caminhos até piores, e não fazer nada, lavar as mãos.
Se pra mim, recebendo capricho uma vez ao mês, não consigo imaginar o impacto da dinâmica de hoje, onde as mulheres são impactadas todos os dias o tempo inteiro com fotos de gente magra.