Passei anos querendo fotografar a Escadaria de Bramante, nos Museus do Vaticano.
Eu já a tinha visto em fotos, em livros e em sonhos de viagem, quase sempre a partir desse mesmo ângulo que, inevitavelmente, todos acabam encontrando quando chegam ali.
A escadaria é, de fato, irresistivelmente fotogênica. Suas curvas, linhas e simetria falam por si. E, por isso mesmo, há incontáveis imagens explorando as mesmas características.
O desafio, então, era trazer algo de novo, mas sem ofuscar a geometria que distingue a cena. Logo percebi que um ângulo muito diferente sacrificaria essa prioridade. Restou-me compensar na interpretação.
O contraste e o preto e branco foram a maneira que encontrei de realçar suas formas e contornos, transformando a escadaria em algo mais gráfico, mais abstrato, quase como um desenho de luz e sombra.
A originalidade não precisa estar sempre em descobrir um novo caminho. Iluminar de outro jeito a trilha que muitos percorrem já é, por si só, uma contribuição bastante pessoal.