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Impossível ler e ficar imune. Ser adulto, ou velho, é uma delícia. A inevitabilidade da descida da montanha te torna mais seletivo, menos influenciável, mais consciente da sua eterna pobreza. Sobre a amiga, muitas amigas minhas adorariam tropeçar na calçada e cair numa pica, o quadro já está côncavo e seco e pede uma ponta, um pinto. Ser mãe de primeira viagem, primeiros seis meses é um horror de Mary Shelley. Saem bichos, monstros dos vãos de portas, brotam em paredes. É o grupo da rede social, que pode cometer genocídio contra as que parem com hora marcada ou não dão o peito, além do grupo inimigo das que exigem uma mesa de cirurgia plástica antes do rebento falar mamae. Há a criança, te tirando da tela, da vida, da produtividade, e a vil descoberta que os 30 kg que você ganhou não vão embora quando te entregam um remelento para carregar no colo e acabar com noites inteiras de sono por, pelo menos, sete anos. A barriga, ah… já na maternidade você verá que ela não some. São, pelo menos 9 messes para o corpo entender e começar a se reconfigurar. Enfim, as gírias. A questão que é pessoal e intransferível pode ter a ver não apenas com o novo, mas com quem você anda. Com o que você consome. E com as escolhas. Sobre ser um adolescente entre mundos, isso é como envelhecer antes do tempo. Tornar-se fruta suculenta quando todo o resto nos galhos ainda é flor. O que te tanka te fortalece.

Jun 7
at
11:00 PM
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