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O QUE O APPLE VISION PRO ENSINA SOBRE AGENTES AUTÔNOMOS QUE NINGUÉM ESTÁ FALANDO? Sim, aqueles óculos da Apple.

O Apple Vision Pro tinha a melhor tecnologia de realidade mista que já existiu. Morreu mesmo assim.

Peso, preço e bateria são os motivos que todo mundo lista, mas esses são sintomas. O problema real é que o produto exigia que as pessoas mudassem a rotina para acomodar ele, e as pessoas não fazem isso. Nunca fizeram. A tecnologia pode ser impressionante e ainda assim ser irrelevante se ela não encontrar as pessoas onde elas já estão.

Agentes autônomos de IA estão no mesmo caminho, e poucos estão falando sobre isso com essa franqueza.

As demos são genuinamente impressionantes. Um agente que pesquisa, decide e executa tarefas complexas de ponta a ponta, sem pedir confirmação a cada passo, é uma mudança real de capacidade. Mas o ChatGPT chegou a 100 milhões de usuários mais rápido que qualquer produto na história e virou piada, porque o uso real ficou em gerar imagem e escrever mensagem de aniversário. A capacidade técnica não se traduziu em transformação de cotidiano. Ficou presa na bolha de quem já estava animado antes do lançamento.

O gap entre o que agentes autônomos conseguem fazer numa demo e o que as pessoas usam no dia a dia é exatamente o mesmo gap que derrubou o Vision Pro.

A diferença é que o Vision Pro custava $3.499 e as pessoas precisavam colocar um aparelho na cabeça para usar. Agentes autônomos têm custo de entrada quase zero, e mesmo assim a adoção fora do público técnico não decola. Isso não é barreira financeira. É ausência de encaixe real na vida de alguém.

O que quebra esse ciclo não é uma demo melhor nem um modelo mais capaz. É integração onde as pessoas já estão, fazendo o que elas já fazem, sem pedir que aprendam nada novo.

É exatamente aí que a compra do Manus AI pela Meta se torna interessante. O Manus é uma camada de execução, não um chatbot: o agente age de ponta a ponta sem supervisão constante. A Meta não sinalizou que vai criar um produto novo para as pessoas aprenderem a usar. O anúncio foi direto: a intenção é levar isso para as plataformas onde dois bilhões de pessoas já estão todo dia. WhatsApp incluído.

Um agente dentro do WhatsApp não precisa que ninguém mude de comportamento. Ele entra numa interface que a sua avó já usa, num app que as pessoas abrem antes de sair da cama, para fazer coisas que elas já tentam fazer por ali de forma manual e truncada. É o oposto do Vision Pro.

O que a Meta ainda não resolveu é confiança. Um agente autônomo que age em seu nome, acessa agenda, executa compras, responde mensagens, dentro de uma plataforma com o histórico de privacidade que a Meta tem, vai esbarrar numa resistência que nenhum comunicado de lançamento dissolve. Especialmente no Brasil, onde o WhatsApp é infraestrutura de comunicação e qualquer deslize tem consequência pública imediata.

A tecnologia existe. O canal existe. O problema que ela resolve existe. O que ainda não está resolvido é se as pessoas vão deixar.

Feb 18
at
7:40 PM
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