Meus primeiros cinco anos de trabalho público foram caracterizados:
1) pela promoção do estudo de latim como meio de desenvolvimento intelectual, o que só ocorreria dentro de certas condições (daí a controvérsia contra o “método natural” — uma tentativa de democratizar esse estudo, à custa de retirar-lhe a utilidade que antes possuía para as artes liberais);
2) pela elevação do conceito de “formação literária” a equivalente da grammatica medieval, e pela revitalização do termo “letramento” numa moldura pedagógica aristotélica, em que o desenvolvimento da sensibilidade linguística e literária adquire grande valor, retomando seu antigo lugar como base das maiores realizações intelectuais — mais uma vez, dentro de certas condições.
Ambas as coisas marcaram o movimento de renovação pedagógica dos últimos anos, e tive a honra de ter contribuído, mais ou menos decisivamente, com a formação de muitas pessoas, algumas das quais viriam a assumir um papel significativo nesta fase. Obtiveram bastante reconhecimento, embora quase todas se recusem a dizer meu nome em público (e sabe-se lá em que tom o dizem em privado…).
Mas se fui uma influência significativa, embora misteriosamente silenciada, minha contribuição inicial foi em si mesma pequena e como que apenas introdutória. Já há cinco anos que venho plantando outras sementes, num terreno muito mais amplo. Outra leva, pois, está no forno — não só de jovens, mas também de membros da geração anterior, que preferiram formar-se melhor antes de pegar no microfone.
A primeira leva teve cinco minutos (ou anos, o que dá no mesmo) de fama, e certa importância histórica, como administradora nem sempre conscienciosa de uma transição cultural intensa. Agora mesmo desponta gloriosamente para o esquecimento, e o impacto de suas realizações enfim se revela, como antes cansei de avisar, momentâneo.
A próxima leva é diferente. Não são meros fogos-fátuos, repetidores e divulgadores: neles habita uma chama verdadeira, embora ainda tênue e frágil. Sua obra não será feita de lives — nem de livros falsos, que o pretenso autor nem leu, nem muito menos escreveu; suas palestras não serão plágio e bravatas; sobretudo terão o que dizer, e saberão como dizer, e assim não serão obrigados a fingir e posar. Quando saírem a público, não apenas não retornarão mais ao anonimato, como com o passar dos anos ficarão cada vez mais conhecidos e respeitados. Serão em tudo o contrário de seus antecessores presunçosos e arrogantes e, por isso, também o seu futuro será muito diferente.