Salve, Capitão, certinho?
Rapaz, o futebol é mesmo uma negócio apaixonante. Imagina que ontem eu, por questões afetivas com o país onde já morei (e talvez volte, quem sabe, a morar), comecei o jogo torcendo pela Espanha. Estava seguro de uma goleada (eu e o mundo todo). Na metade do primeiro tempo eu já estava torcendo para Cabo Verde. Vibrei com cada defesa de Vozinha, ajudei mentalmente a fechar o gol, e dei um pulo de alegria quando o árbitro apitou pela última vez sacramentando o histórico empate diante da Espanha, grande favorita da Copa.
Veremos hoje se a França também não tropeça (sou Senegal desde o berço).
Meu amigo, depois da decepção do Brasil na estreia, a ficha caiu para mim. Existe um pensamento mágico que me leva a crer que um time sem alma, sintonia e ordem vai chegar na Copa e brilhar. Não vai! Esse time não chegará longe e vale mais aceitar a realidade. Toda dinastia, império ou superpotência um dia cai. O Brasil há muito tempo não domina o futebol mundial, hoje em dia já não somos nós quem, nem individual nem coletivamente, se destaca nesse esporte.
Ontem fui a um lago muito bonito perto de Verona, um lugar que é muito frequentado por suíços e alemães. Havia um menino de 5/6 anos com a camisa do Brasil. O curioso era que ele trazia na camisa o nome do Pelé. Isso me chamou atenção porque pensei que era como usar uma camisa dos Beatles ou do Mohamed Ali. A seleção brasileira é uma coisa linda, maravilhosa, histórica que já não existe. Só sobrevive na memória e no “videotape”.
Ficou baixo astral, né? Mas sinto mesmo isso.
Também sinto falta dos italianos na Copa, um país que inventou uma posição no campo para um jogador ser absolutamente livre, o Líbero, deveria ter vaga garantida em todos os Mundiais. Uma questão poética. Pasolini, que escreveu sobre o futebol prosa (praticado pela Itália nos anos 70) e o futebol poesia (o do Brasil daquela época), hoje teria que rever sua tese, né? Alguém ainda pratica futebol poesia?
Talvez não, ou pelo menos nesta Copa, até agora, não vi, mas continuo gostando de tanto de literatura e de futebol que, seja prosa ou poesia, eu consumo.
Grande abraço, viva Cabo Verde e todos os Davids do futebol!
Viel - Caneva, Norte da Itália, 16 de junho de 2026