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um beija-flor entrou em casa ontem e não conseguia sair. batia no vidro insistentemente, como se uma hora o portal fosse abrir. eu e meus pais (a casa, na verdade, é deles. estou de visita), tentamos de tudo: pegamos escada, vassoura, as flores que ele gosta, assoviamos, batemos palma, tentamos oração, telepatia e nada. o bichinho não entendia que a saída estava um pouco mas abaixo dele e continuava voando alto.

tivemos que esperar ele cair no chão, esgotado, exausto e desacordado. fizemos carinho, molhamos a cabecinha dele e demos água com açúcar. demorou um pouquinho, mas ele despertou e devorou o falso néctar.

então, o colocamos nas flores do lado de fora de casa pra que ele se recuperasse. pouco tempo depois, ele voou.

e nós ficamos pensando na lição desenhada que ele nos trouxe: talvez a sensação de falta de saída que sentimos seja apenas um ponto de vista, talvez tenha gente tentando ajudar, abri nossos olhos, nos mostrar que a saída está ali, bem ali… mas a gente insiste em bater a cabeça no vidro na esperança de que uma hora ele se abra. e aí despencamos exaustas e desacordadas.

no fim das contas, ser gente não é tão diferente de ser bicho. mas ao contrário do beija-flor que não entendeu o que aconteceu, nós temos a danada da consciência para remoer o arrependimento de não termos nos dado conta antes.

seria melhor se a gente a usasse para olhar em volta e identificar saídas.

Dec 22
at
12:37 PM
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